Archive for the ‘2008’ Category

O Rei está nu 0

Conhece a estória da roupa nova do Rei? Conhece certamente. É uma estória que se conta e se imprime há seiscentos anos, desde o livro do Infante Dom Juan Manuel.
O Rei recebe o oferecimento de um tecido tão maravilhoso que somente os homens inteligentes podiam vê-lo.
Os artistas estendiam a peça do brocado aos olhos de [...]

Cada terra com seu uso 0

>Outrora dizia-se que cada roca tinha seu fuso e cada terra o uso respectivo.
Hoje quem fia o algodão em casa para que possua fuso e roca?
Raríssimo será quem haja visto uma roca e saiba lembrar como se fiava o fio de algodão.
No velho sertão de 1910 até 1920 ainda encontrei o uso. Todos os fios [...]

Natal, cidade sempre nova 0

A cidade do Natal foi construída lentamente e com os materiais encontrados, em sua maioria, no próprio local. Ainda há casa na Rua do Senhor Santo Antônio com as madeiras cortadas ao redor do sopé da colina onde a cidade se erguera, na Praça André de Albuquerque. Mas as casinhas eram humildes e foram caindo. [...]

O braço de São Francisco Xavier 0

Sou católico no geral e admirador de São Francisco Xavier no particular. Ninguém mais devoto da vida maravilhosa do Apóstolo das Índias nem da imensidade humaníssima do seu catequista.
Leio num jornal espanhol que as festas dedicadas ao grande Santo serão realizadas brevemente no Japão e mesmo o Imperador assistirá sessões solenes. Naturalmente uma delegação espanhola [...]

Para que meu povo se salve 0

O padre dom Luís Sotomaior Garcia, pároco de Encarnação de Arjonilla, Jaen, na Espanha, falava aos seus paroquianos na Matriz, às nove e meia da noite, numa breve pregação durante a bênção. Erguendo a mão, o sacerdote disse: – Doy mi corazon y mi vida para que mi pueblo se salve…
E caiu com um colapso. [...]

A raposa no pomar 0

Essa  estória está no TORAH, numa das edições que conheço. É lição de sabedoria israelita que muito pouca gente, judia e cristã, compreende e segue nos dias rápidos do mundo.
Uma raposa andava procurando almoço quando encontrou um grande e alto muro. Rodeou-o, farejando e deparou um buraco por onde avistou o paraíso do estômago e [...]

Viriato 0

Anotando uma estória velhinha e  banal, o sapo que vai a uma festa no céu, reli a versão do ERA UMA VEZ… de Viriato Corrêa e João do Rio. Essa estória mereceu um estudo de João Ribeiro e ainda há muito que respingar e deduzir no processo de convergência que a constitui.
E fui lendo estória [...]

O exemplo dos Bandar-Log 0

No Jungle Book, Rudyard Kipling lembra o grande povo dos Bandar-Log, habitantes das árvores, livres e alegres criaturas, devotas do próprio mérito.
Todos os animais da selva têm um chefe, uma ordem, uma lei e uma palavra para identificar-se. Reconhecem nas outras espécies os direitos da fome e o dever da caça.
Os Bandar-Log dispensam tudo. São [...]

O cortejo universitário de São Francisco da Califórnia 0

Em princípios de novembro, a cidade de São Francisco festejou o aniversário do descobrimento da Baía do mesmo nome, há cento e setenta e nove anos.
Muita gente está convencida de que o americano do norte é um matador das suas tradições, inimigo da sua história, vândalo esfomeado, espatifando quanto possa lembrar velhice e tempo passado.
Quem [...]

Brasileirismos… de Portugal 0

Andei rodando Portugal de Valença de Minho até o Algarve. Rodando com os olhos e ouvidos alertados. Ia para estudar e não para passear, como turista irresponsável e rico. Sabia das dificuldades vencidas e da remota possibilidade de um retorno à Europa. Era obrigado a ver e ouvir como devia. Não me arrependo dos cuidados [...]

Uma grande vitória da arte popular 0

Pouco a pouco, lentamente, a Arte Popular está conquistando algumas polegadas de simpatia nas residências confortáveis e ricas da cidade.
A cerâmica cabocla está merecendo que mãos socialmente elevadas e sabiamente desdenhosas ergam das esteiras amarelas das feiras as louças humildes de Sant’Antônio dos Barreiros, de Coqueiros, da Gangorra e elevem esse documentário artístico tradicional à [...]

O uso e o abuso da admiração 0

Nada mais difícil que destituir a autoridade de um livro superficial que teve a fortuna de ser adotado pelo público. A frase é de Renan.
Queixava-se Renan de desigualdade de juízo leitor entre valores distanciados vertiginosamente na escola do mérito. O acadêmico Joseph Conde escrevera uma História dos Árabes na Espanha, fervilhante de enganos, de erros, [...]