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Certo. Deduzo, julgam dispensável dar a informação solicitada. Depois protestam pela ausência de citação, culpando o autor de algum livro como pessoa mal-informada ou propositadamente sabotadora.
A culpa, evidentemente, cabe ao acusador, quase sempre macaco que esquece a cauda e vive descobrindo rabo na cotia.
Um exemplo inesquecível passou-se comigo. Escrevia o Marquês de Olinda e seu Tempo em 1929 aqui na Província, juntando documentos com uma paciência que só era igual à teima.
Numa manhã escrevi quatro cartas, datilografadas como sempre e seguiram pelo correio, registradas. Os destinatários eram importantíssimos: Monsieur Chiappe, Prefeito de Polícia em Paris, Dr. Fezas Vidal, Reitor da Universidade de Coimbra, Príncipe Max de Saxe, professor da Universidade de Friburgo, Dr. Antônio Azeredo, vice-presidente do Senado Federal.
Solicitava informações valiosas e confesso, sem esperança de recebê-las. Era apenas para satisfazer o direito do pedido, e não as tivesse, fizera tudo para obtê-las.
Meses depois as respostas foram chegando. Mr. Chiappe mandou cópia do relatório da Polícia de Paris em 1828 quando acompanhava Pedro de Araújo Lima. Prof. Fezas Vidal mandou todos os documentos relativos à vida universitária do futuro Marquês de Olinda e seus três diplomas, bacharelato, licenciato e doutoramento. O Príncipe Max de Saxe mandou as notas sobre a descendência do seu avô, numa letra enorme e num alemão terrível que Waldemar de Almeida traduziu.
O pedido do Dr. Antônio Azeredo era o mais fácil. Solicitava, por compra, dádiva, empréstimo, o volume dos Anais do Senado do Império do ano de 1856. Era o único que me faltava.
Nunca obtive resposta.
Luís da Câmara Cascudo
Diário de Natal, 29 de maio de 1948


